Mulheres e Carros Segunda-feira, 17 Novembro, 2008
Posted by Diego Silva in Polêmicos.add a comment
Analisando algumas coisas, que claro estavam na cara, resolvi colocar uma crítica sobre um tema polêmico.
No último salão do automóvel era engraçado como os carros estava sempre acompanhados, por… mulheres. Quer tirar uma foto do Porshe Carrera? Ah claro, tinha uma loira ao lado dele. Daquela Ferrari? Uma morena. E todas estavam belas e bem produzidas. Por que será?
Pois é, infelizmente hoje as mulheres são transformadas em mercadorias, objetos, seja na indústria da prostituição e da pornografia, seja na forma como são expostas na publicidade, que manipula nossos sonhos e desejos, criando necessidades que antes não existiam, apenas para aumentar o consumo.
A publicidade expõe as mulheres como um produto para consumo dos homens (e cujo valor é estabelecido pela vontade deles), no sentido literal, como fazem as propagandas de cerveja, ou no sentido indireto, quando afirmam que é comprando um produto X ou Y que elas agradarão aos olhares masculinos e serão felizes, como se fosse essa a primeira das suas atribuições: ser um objeto acolhedor, atraente, disponível. Também há as campanhas publicitárias que anunciam mil e uma facilidades para as mulheres cumprirem sua intensa jornada de trabalho, como os produtos de limpeza que fazem milagres para que a realização das tarefas domésticas, que cabem às mulheres, seja mais “eficiente”.
A definição da “feminilidade” é marcada pela dependência em relação às expectativas masculinas, reais ou imaginadas. Basta olhar ao redor para perceber que estamos cercados de produtos a serviço da “feminilidade”, que se baseiam na exploração e na naturalização dessa dependência.
Na publicidade, a mulher é constantemente representada assim: um objeto de consumo, que, para ter valor, tem que seguir um padrão. Para atingir esse padrão, ela deve aceitar as condições do mercado e consumir uma enorme quantidade de produtos e serviços. As mulheres exibidas nessas propagandas viram “modelos de perfeição”, modelo que as mulheres perseguem como se fosse uma condição para sua realização. Assim, a exposição da imagem e do corpo das mulheres como objeto contribui muito para colocá-las num estado permanente de insegurança com relação ao seu corpo.
Ser contra a mercantilização do corpo e da vida das mulheres significa combater a lógica que transforma as mulheres em objetos a serem comprados, vendidos, ou mesmo tomados à força.
A luta contra a sociedade de mercado e a resistência à mercantilização do corpo e da vida das mulheres segue como um eixo fundamental para uma ação feminista que incorpore a perspectiva de classe e seja protagonista de uma transformação profunda da ordem social global.
Sou feminista? Nâo, e nem machista. É só um olhar crítico.
É isso.
Sobre Deus e zeitgeist Quinta-feira, 31 Julho, 2008
Posted by Diego Silva in Polêmicos.2 comments
Percebi por esses dias um certo burburinho ao redor de um filme que está rodando por aí. E como não podia deixar passar, vou dar um pitaco aqui.
O nome do filme é Zeitgeist, que pra quem não sabe é um termo alemão traduzido como espírito do tempo. Significa, em suma, o nível de avanço intelectual e cultural do mundo, em uma época. Tá curioso? Vai lá, pesquise, assista e veja que é uma maravilha! Sua vida vai mudar radicalmente, você ficará rico, não precisará mais trabalhar e viverá eternamente!
Tudo isso por um fantástico, maravilhoso e esclarecedor documentário revelando segredos ocultos e proibidos que ninguém sabia porque as classes dominantes ocultaram mas que os corajosos promotores do vídeo resolveram trazer a público não importa o que venha a acontecer com eles.
E o pior que tem gente que dá crédito a esta balela que está mais para enredo de Episódio do Arquivo X do que para fato científico!
Trata-se de mais um lamentável episódio da série Código Da Vinci, Evangelho de Judas, O Segredo! entre outros. Por falta de criatividade resolveram requentar velhas teorias de conspiração como se fossem desconcertantes fatos novos!
Que pena ! Esqueceram de mencionar que o Ronaldinho Fenômeno entregou a Copa da França, que a loira do banheiro é um sucubus que rouba sêmem, e que a Coca Cola usa sangue de vítimas sacrificadas ao diabo na sua formula secreta, que na Área 51 tem chupa-cabra e ET de Varginha e que o Monstro do Lago Ness é um dinossauro vivo!
O alvo sempre é o mesmo… não podiam ter sido mais inovadores e atacado por exemplo a Maomé, ao islã, dizer que Meca é isso, que o Alcorão é aquilo?
Ah sim! Isso não fazem! Os extremistas muçulmanos não são tão tolerantes com esse tipo de acusação.
O engraçado e estranho é ver toda essa gente dando crédito a esse filme que nada mais é do que uma colcha de retalhos composta por falácias e teorias paranóicas.
O que causa maior espanto é constatar que até mesmo aqueles que aparentam maior esclarecimento têm acreditado no papo furado de um proto-documentário que defende premissas baseadas em idéias desatualizadas e refutadas já no início do século passado.
Ora, insistir na idéia de que Jesus é um mito e dizer que ele nunca existiu como o filme faz é uma atitude risível. Além dos 27 documentos que compõem o Novo Testamento, existem 39 documentos externos à Bíblia que mencionam Jesus e sua vida terrena. Estas fontes incluem: o Talmude judaico; o Didaquê; historiadores romanos, gregos e judeus; os evangelhos apócrifos (por exemplo, o evangelho de Tomé); etc. Essas fontes extra-bíblicas revelam-nos mais de 100 fatos sobre sua vida, seus ensinos, morte e ressurreição. A Enciclopédia Britânica, edição XV, dedica 20000 palavras à pessoa de Jesus Cristo e em nenhum momento sugere que ele não tenha existido. Como se isso não bastasse, existem mais de cinco mil manuscritos do Novo Testamento, o que o torna o mais bem-documentado dos escritos antigos.
Para vocês terem uma idéia do quanto a existência de Cristo é rica em suas fontes, foram analisadas analogamente as biografias de Alexandre Magno e as de Jesus Cristo. As duas biografias mais antigas sobre a vida de Alexandre foram escritas por Adriano e Plutarco depois de mais de 400 anos da morte de Alexandre, ocorrida em 323 AC e mesmo assim os historiadores as consideram muito confiáveis. Para a maioria dos historiadores, nos primeiros 500 anos, a história de Alexandre ficou quase intacta. Portanto, comparativamente, é insignificante saber que os evangelhos foram escritos 60 ou 30 anos (isso no máximo) depois da morte de Jesus e esse tempo seria insuficiente para se mitificar um indivíduo.
No mais, o filme se auto-refuta. Querem um exemplo? A alegação do filme de que o cristianismo tenha emprestado ou roubado a idéia dos “três reis-magos” de religiões antigas é ridícula. Os três reis-magos apareceram e aparecem ocasionalmente em cartões de natal produzidos sem nenhuma pesquisa, mas não aparecem em nenhum lugar na Bíblia. No livro do evangelho segundo Mateus simplesmente está escrito “Tendo Jesus nascido em Belém da Judéia, em dias do rei Herodes, eis que vieram uns magos do Oriente a Jerusalém.” (Mat. 2:1). Os magos eram conhecidos como homens sábios e não como reis. Durante a Idade Média, surgir a lenda de que os magos foram reis e de que estavam em três, mas isso é pura lenda e não algo ensinado nas Escrituras. O ataque precipitado e enganoso do filme contra a credibilidade do Evangelho apenas revela a falta de credibilidade que possuem seus produtores quando se trata de pesquisa acadêmica.
Portanto, o serviço prestrado é de desinformação e não de informação. Sim, o filme aliena mais do que revela e confunde mais do que esclarece.
Não se deixem enganar pelo Zeitgeist! Aquilo é uma bobagem enorme e nem é preciso abordar o assunto de uma perspectiva Política e Economica para provar isso.
Agradeciimentos a Marcus e Felipe.